JANARDE
O nosso caminho, insistentemente atrás do serpentear do rio Paiva, foi dar à aldeia de Janarde, onde o sossego das coisas e a inexistência de pessoas nos admirou. Lá no fundo, o rio dava voltas e mais voltas, fervendo espuma em cascalheiras diversas, por onde eventualmente os peixes buliam. Cá em cima, Janarde ostentava o seu casario de xisto e ardósia, onde surpreendia um fontanário também xistoso, que escorria umas pinguinhas de água, dando feição ao lugar. Uma feição algo desfasada das paredes vetustas do casario silencioso e despovoado. Havia uma capela, que se impunha pelo contraste, de uma brancura arrumadinha. Porém, ao lado disto, a Primavera rompia pujante de flores e verdura, indiferente ao património, à capela e até àquele fontanário escusado. Lá baixo, o rio demorava nos meandros. Encantava…
Fomos pescar para Meitriz e depois para Pereiro, com o rio a correr de
mansinho e a querer acolher-nos desconfiado. Senti, que o rio talvez desgoste
de pescadores! Mas lá surripiamos uns peixes e umas horas ao tempo. Umas bogas
matulonas, um barbo medrado, mais umas dezenas de escalos meãos. O rio acatou
este roubo. Desvarios próprios da nossa idade, que precisa de vez em quando
deles e de horas bem ocupadas. Precisa mesmo!
Janarde, 6 de Abril de 2012
Luís M. Borges

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