Alburnos
1. O Valdemar
Seguíamos o caminho, seguíamos as sombras, seguíamos a margem, seguíamos
o rio, pois, seguíamos os peixes.
Que vaidade a destes três homens, cuja pesca lhes corria nas veias.
O Valdemar. Conhecemo-lo quando decidimos almoçar num dos restaurantes
da Foz do Pinhão, isto na esplanada. Vinho tinto e jardineira de vitela, com o
rio Douro a fazer bailar o silêncio sobre água suficiente. Foi sintonia a três
e a pesca o atilho e Vila Real o cimento.
Já na pesca, a Vaz de Carvalho eu quase lhe ouvia o vício pela pluma -
pluma de perfeição. Logo cativou um pequeno achigã e depois uma caterva de
alburnos.
Entretanto, eu engodava o local com farinha e pequenos vermes, na
ânsia de ver aproximar o cardume de alburnos e pesca-los, claro. Demorei 15
minutos a prender o primeiro. Um ser exuberantemente prateado, magnífico, de
uma perfeição e equilíbrio divinos.
Assim seguiu uma hora, com dezenas de alburnos a brilharem ao sol, com
o Valdemar entusiasmada.
E foi, quando o ar quente nos começou a morder a pele; quando as ervas
já nos secavam os olhos; quando a satisfação nos sorria consolada, que começámos
a ter sede. O rio só nos lembrava os nossos lábios desidratados. Por isso, a
pesca começou a ficar árida e regressámos ao restaurante. Gostei de nós, com as
nossas fragilidades.
O Valdemar
À fresca, a conversa molhada foi-se estendendo e agendámos encontros
futuros de pesca, bem como brindámos aos entusiasmantes alburnos.
Pinhão, 13 de Agosto de 2012.
2. A Malta da "Bila"
Já repeti, vezes sem conta, que no Pinhão se bebe um excelente vinho tinto, come-se uma fabulosa massa
à lavrador no restaurante LBV, estaciona-se mesmo junto ao pesqueiro (o cais é
um local de pesca prático), o peixe abunda (alburnos, barbos, gardons, lúcios,
sandras), a cerveja vem ter connosco, estão lá sempre os amigos da “Bila” e existe
aquela paisagem avassaladora do Douro Vinhateiro. Porém, no Verão o calor pode
arrasar e no Inverno o frio, o vento e a chuva fustigam em directo..
A história é simples: eu e o VC quando por vezes decidimos ir a Vila
Real ver as nossas meninas mais velhas (as nossas Mães), baixamos ao Pinhão
para pescar. Escolhemos quase sempre a pesca aos alburnos, por ser descontraída
e cativante. Os alburnos são difíceis de pescar, prateados como sardinha e
muito abundantes.
A Malta da "Bila"
As canas de 6/7 metros chegam e sobram para efectuar pescarias no
sítio certo e à profundidade adequada. Bóias de 1 e 2 gramas. O engôdo é a
ração PRONUTRI (pintos) PRO 104, transformada em bolas do tamanho de laranjas,
que depois se atiram com regularidade para o ponto desejado. O isco é morcão
vermelho ou branco, aos 2 e aos 3 enfiados num anzol 18 (ref. SN1100b da
Gamakatsu). É vê-los a saírem brilhantes e desesperados, com uma regularidade
impressionante, para serem enfiados na manga. Mas, nem sempre esta regularidade
acontece… Esta espécie tem comportamentos específicos, que os pescadores ainda
desconhecem as causas, talvez por ser um peixe introduzido. De vez em quando lá
pega um barbo a arrebentar com a montagem.
Eu gosto muito de ir pescar alburnos ao Pinhão. O VC nem por isso,
embora tenha a convicção de que vai mudar de atitude. “Verásse”…
Pinhão, 28 de Janeiro de 2013
Luís M. Borges

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