domingo, 10 de agosto de 2014

22. Memórias ao longo dos rios: Alburnos



Alburnos
1. O Valdemar
Seguíamos o caminho, seguíamos as sombras, seguíamos a margem, seguíamos o rio, pois, seguíamos os peixes.
Que vaidade a destes três homens, cuja pesca lhes corria nas veias.
O Valdemar. Conhecemo-lo quando decidimos almoçar num dos restaurantes da Foz do Pinhão, isto na esplanada. Vinho tinto e jardineira de vitela, com o rio Douro a fazer bailar o silêncio sobre água suficiente. Foi sintonia a três e a pesca o atilho e Vila Real o cimento.
Já na pesca, a Vaz de Carvalho eu quase lhe ouvia o vício pela pluma - pluma de perfeição. Logo cativou um pequeno achigã e depois uma caterva de alburnos.
Entretanto, eu engodava o local com farinha e pequenos vermes, na ânsia de ver aproximar o cardume de alburnos e pesca-los, claro. Demorei 15 minutos a prender o primeiro. Um ser exuberantemente prateado, magnífico, de uma perfeição e equilíbrio divinos.
Assim seguiu uma hora, com dezenas de alburnos a brilharem ao sol, com o Valdemar entusiasmada.
E foi, quando o ar quente nos começou a morder a pele; quando as ervas já nos secavam os olhos; quando a satisfação nos sorria consolada, que começámos a ter sede. O rio só nos lembrava os nossos lábios desidratados. Por isso, a pesca começou a ficar árida e regressámos ao restaurante. Gostei de nós, com as nossas fragilidades.
 O Valdemar
À fresca, a conversa molhada foi-se estendendo e agendámos encontros futuros de pesca, bem como brindámos aos entusiasmantes alburnos.
Pinhão, 13 de Agosto de 2012.




2. A Malta da "Bila"


Já repeti, vezes sem conta, que no Pinhão se bebe um excelente vinho tinto, come-se uma fabulosa massa à lavrador no restaurante LBV, estaciona-se mesmo junto ao pesqueiro (o cais é um local de pesca prático), o peixe abunda (alburnos, barbos, gardons, lúcios, sandras), a cerveja vem ter connosco, estão lá sempre os amigos da “Bila” e existe aquela paisagem avassaladora do Douro Vinhateiro. Porém, no Verão o calor pode arrasar e no Inverno o frio, o vento e a chuva fustigam em directo.. 

A história é simples: eu e o VC quando por vezes decidimos ir a Vila Real ver as nossas meninas mais velhas (as nossas Mães), baixamos ao Pinhão para pescar. Escolhemos quase sempre a pesca aos alburnos, por ser descontraída e cativante. Os alburnos são difíceis de pescar, prateados como sardinha e muito abundantes. 
 A Malta da "Bila"
As canas de 6/7 metros chegam e sobram para efectuar pescarias no sítio certo e à profundidade adequada. Bóias de 1 e 2 gramas. O engôdo é a ração PRONUTRI (pintos) PRO 104, transformada em bolas do tamanho de laranjas, que depois se atiram com regularidade para o ponto desejado. O isco é morcão vermelho ou branco, aos 2 e aos 3 enfiados num anzol 18 (ref. SN1100b da Gamakatsu). É vê-los a saírem brilhantes e desesperados, com uma regularidade impressionante, para serem enfiados na manga. Mas, nem sempre esta regularidade acontece… Esta espécie tem comportamentos específicos, que os pescadores ainda desconhecem as causas, talvez por ser um peixe introduzido. De vez em quando lá pega um barbo a arrebentar com a montagem.

Eu gosto muito de ir pescar alburnos ao Pinhão. O VC nem por isso, embora tenha a convicção de que vai mudar de atitude. “Verásse”…

Pinhão, 28 de Janeiro de 2013
Luís M. Borges
 

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