Uma boga tamanha
Para o rio Olo chega-se através de um dos muitos estradões de terra
amarela, carcomidos pela água da chuva. À vista da profusão verde e compacta,
logo se nos ofereciam desejos exagerados e uma pressa incontida.
Nós os quatro, depois de termos reverenciado o majestoso pico da Sra
da Graça em Mondim de Basto, tínhamos formulado objectivos: Luís Costa pensava
em trutas, Luís Borges em escalos, Adérito Alves em bogas e Vaz de Carvalho em
todas as espécies. Pensavam…
Contudo, o que aconteceu em dia de rio alto e águas cristalinas foi
terem deixado de pensar. Os peixes negaram-se, o rio mostrou-se indiferente, a
vegetação agrediu com os seus espinheiros, urtigas e silvas, o tempo aborreceu,
as pedras escorregavam. Desgraçadamente, tendo sido a primeira vez que
visitávamos o Olo este ano, constatámos que o rio tinha empobrecido. Mesmo
variando de técnicas, batendo lances improváveis e até aplicando dissimulações
quase felinas, só se fazia ouvir a leveza da pluma ou o estremecer da amostra. A
força viva do peixe materializou-se, curiosamente, nas seguintes capturas:
- Luís Costas: 1 truta de 25 cm;
- Luís Borges: 1 escalo de 20 cm;
- Adérito Alves: 1 boga de 29 cm;
- Vaz de Carvalho: 1 boga; 1 escalo e 1 truta, de 17, 15 e 20 cm,
respectivamente.
Conclusão: o rio Olo era um sonho, deixou de o ser…Mesmo com as
intervenções impostas, os peixes já não contam histórias. Não os há! Só a boga
tamanha acordou em nós aquele passado relevante, de abundância e de prazer.
Rio Olo, 7 de Junho de 2012
Luís M. Borges

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