Presunto…huum!
No Alto Barroso, o primeiro dia foi dedicado ao Vítor, mais à sua
esposa, ainda ao presunto de três anos e também ao cabrito estufado. Numa
grande mesa de pedra, sob a protecção de duas cerdeiras verde rubras, correu o
vinho e soltou-se o falar. O tema pesca repetiu-se e desdobrou-se na tarde
quente do alto, enquanto se ia cortando o presunto. Ia uma aragem fresca e
agradável, enquanto passava o cabrito. Saímos pela tardinha, enquanto se sorvia
mais uma malga de verde tinto. Para a Represa das Cruzinhas, a tentar os
escalos.
O Vaz de Carvalho galgou ribeiro acima a varejar trutas. Eu e o
Adérito na represa. Sítio agradável, que nos ficou na memória, a repetir. Por
entre labaças, prendemos alguns escalos e o Vaz umas trutecas.
No dia seguinte, o Alto Beça acolheu-nos no seu melhor e peripécias
não faltaram, desde aquela truta que ficou ainda mais truta, pois foi tirada a
banhos, que o Adérito ia ostentando vezes sem conta em roupa mínima (a galhofa
que deu o Adérito a mudar de calças), num misto de queixume pela molha e de
satisfação pela captura, passando pela inveja do jipe que se recusou a pegar,
deixando o dono a quilómetros vir a pé vestido de astronauta. Lá se deu de
mamar ao jipe com o carro de um amigo.
Nestes entretantos, a pesca ia decorrendo, com trutas a brindarem às
nossas canas. Houve ainda molha da grossa, com granizo e trovões. Esta
refrescadela húmida redobrou-nos o ânimo e as trutas não faltaram a atacar a
mosca, por entre as pedras de granizo, que fustigavam a superfície da água.
- Pois, até vi trutas à superfície, de boca aberta, a colherem o
granizo! Gelados senhor!
Tal e qual, como a outra santa rainha, que mentia ao marido real e
dizia:
- São rosas senhor!
Alto Barroso, 31 de Maio e 1 de
Junho
Luís M. Borges

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