domingo, 10 de agosto de 2014

15. Memórias ao longo dos rios: Victor e o Presunto


Presunto…huum!
 
No Alto Barroso, o primeiro dia foi dedicado ao Vítor, mais à sua esposa, ainda ao presunto de três anos e também ao cabrito estufado. Numa grande mesa de pedra, sob a protecção de duas cerdeiras verde rubras, correu o vinho e soltou-se o falar. O tema pesca repetiu-se e desdobrou-se na tarde quente do alto, enquanto se ia cortando o presunto. Ia uma aragem fresca e agradável, enquanto passava o cabrito. Saímos pela tardinha, enquanto se sorvia mais uma malga de verde tinto. Para a Represa das Cruzinhas, a tentar os escalos.
O Vaz de Carvalho galgou ribeiro acima a varejar trutas. Eu e o Adérito na represa. Sítio agradável, que nos ficou na memória, a repetir. Por entre labaças, prendemos alguns escalos e o Vaz umas trutecas.
No dia seguinte, o Alto Beça acolheu-nos no seu melhor e peripécias não faltaram, desde aquela truta que ficou ainda mais truta, pois foi tirada a banhos, que o Adérito ia ostentando vezes sem conta em roupa mínima (a galhofa que deu o Adérito a mudar de calças), num misto de queixume pela molha e de satisfação pela captura, passando pela inveja do jipe que se recusou a pegar, deixando o dono a quilómetros vir a pé vestido de astronauta. Lá se deu de mamar ao jipe com o carro de um amigo.
Nestes entretantos, a pesca ia decorrendo, com trutas a brindarem às nossas canas. Houve ainda molha da grossa, com granizo e trovões. Esta refrescadela húmida redobrou-nos o ânimo e as trutas não faltaram a atacar a mosca, por entre as pedras de granizo, que fustigavam a superfície da água.
- Pois, até vi trutas à superfície, de boca aberta, a colherem o granizo! Gelados senhor!
Tal e qual, como a outra santa rainha, que mentia ao marido real e dizia:
- São rosas senhor!
Alto Barroso, 31 de Maio e 1 de Junho
Luís M. Borges

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