sábado, 9 de agosto de 2014

3. Memórias ao longo dos rios: nada acontece duas vezes



Nada acontece duas vezes 
 A poetiza polaca Wistawa Szymborska escreveu “Nada duas vezes acontece / Nem acontecerá…”. Esta verdade, dita desta forma poética, aplica-se por inteiro à pesca lúdica. Cito as minhas estatísticas bastante rigorosas dos últimos anos aplicadas à pesca, no mesmo rio, no mesmo local, com as mesmas técnicas, que acabam por nada significar. As condições mudam e mandam.
Há rumores de que as trutas grandes se escondem nos fundões das poçarras; há rumores de que as trutaças se acomodam nas correntes dos rios grandes; há rumores de que são as rapalas que as seduzem. Eu e o VC não tivemos ouvidos para estas insinuações, escolhendo ter olhos apenas para o Alto Beça. E fomos lá! O VC equipado como um astronauta, um estranho num troço de rio conhecido, preparado para pescar à “mosca seca”. Eram umas 13 horas, quando as labaças verdes começaram a ser calcorreadas pelas botas de VC. Só às 16 se mostrou em seco. E seco de trutas se apresentou!
Ainda fomos a Gouvães. Ainda batemos o Tâmega sob a Ponte de Ribeira de Pena e anoitecemos em Polderado. Nada aconteceu…

Anoitecemos em Polderado
Polderado, 07 de Março de 2012
Luís M. Borges

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