Nada acontece duas vezes
A poetiza polaca Wistawa Szymborska escreveu “Nada duas vezes acontece / Nem acontecerá…”. Esta verdade, dita
desta forma poética, aplica-se por inteiro à pesca lúdica. Cito as minhas
estatísticas bastante rigorosas dos últimos anos aplicadas à pesca, no mesmo
rio, no mesmo local, com as mesmas técnicas, que acabam por nada significar. As
condições mudam e mandam.
Há rumores de que as trutas grandes se escondem nos fundões das
poçarras; há rumores de que as trutaças se acomodam nas correntes dos rios
grandes; há rumores de que são as rapalas que as seduzem. Eu e o VC não tivemos
ouvidos para estas insinuações, escolhendo ter olhos apenas para o Alto Beça. E
fomos lá! O VC equipado como um astronauta, um estranho num troço de rio
conhecido, preparado para pescar à “mosca seca”. Eram umas 13 horas, quando as
labaças verdes começaram a ser calcorreadas pelas botas de VC. Só às 16 se
mostrou em seco. E seco de trutas se apresentou!
Ainda fomos a Gouvães. Ainda batemos o Tâmega sob a Ponte de Ribeira
de Pena e anoitecemos em Polderado. Nada aconteceu…
Anoitecemos
em Polderado
Polderado, 07 de Março de 2012
Luís M. Borges

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