Perto dos rios:
1. Encontrus
1. Encontrus
Somos mais de 20 amigos. Uma vez por mês jantamos na Altix, onde o
Óscar dá expressão ao seu pendor para Cozinheiro/Chefe ou no Restaurante
Floresta, no qual nos aprestamos, quase sempre, a saborear as célebres “Tripas
à Moda do Porto”.
O tema de conversa é a pesca ou temas relacionados,
preponderantemente.
Neste “Encontrus 7” a tripalhada mereceu elogios redobrados, bem como
um piri-piri Habanero da minha lavra.
Na euforia final do jantar, chegaram entretanto três pescadores
afamados: Vaz de Carvalho, Paim e Gama. Traziam um grande saco preto de
plástico com trutas, acabadas de pescar na Barragem da Venda Nova. A maior
ultrapassava os dois quilos. Embasbacados, restou aos convivas brindar aos
troféus e justamente, aos respectivos pescadores.
Senhora da Hora, 28 de Setembro
de 2012
2. Eu amo as pausas
Como aquelas trutas apareceram como um milagre, dentro de um grande
saco plástico, foram entretanto
congeladas, a fim de serem dadas à degustação, conforme manda a boa tradição.
Assadas no forno, em fumegante aloirado, ladeadas de pequenas batatas, surge a
travessa que é pousada na mesa, onde os amigos se felicitam em silêncio. Pensam
na sorte que alguém teve ao pescar tão belas trutas, lamentam certamente a
morte de tão extraordinários seres vivos, aspiram o aroma que passa no ar e
finalmente concentram-se ciosamente nos respectivos pratos. O vinho duriense
acabou por compor bem o paladar dos 6 amigos, pois este intérprete do jogo
dissolve bem e aligeira melhor. Na boa relação triangular “petisco/boca/estômago”,
tudo se transforma em deliciosos momentos de prazer.
Esta pausa na pesca, consequência dela com certeza, transforma-se em
recordação, em memória da vida. Somente porque houve umas trutas.
Matosinhos, 17 de Outubro de 2012.
Luís M. Borges


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