segunda-feira, 11 de agosto de 2014

27. Memórias ao longo dos rios: Venda Nova e Trutas



Perto dos rios:
1. Encontrus 
 
Somos mais de 20 amigos. Uma vez por mês jantamos na Altix, onde o Óscar dá expressão ao seu pendor para Cozinheiro/Chefe ou no Restaurante Floresta, no qual nos aprestamos, quase sempre, a saborear as célebres “Tripas à Moda do Porto”.
O tema de conversa é a pesca ou temas relacionados, preponderantemente.
Neste “Encontrus 7” a tripalhada mereceu elogios redobrados, bem como um piri-piri Habanero da minha lavra.
Na euforia final do jantar, chegaram entretanto três pescadores afamados: Vaz de Carvalho, Paim e Gama. Traziam um grande saco preto de plástico com trutas, acabadas de pescar na Barragem da Venda Nova. A maior ultrapassava os dois quilos. Embasbacados, restou aos convivas brindar aos troféus e justamente, aos respectivos pescadores.

Senhora da Hora, 28 de Setembro de 2012


2. Eu amo as pausas



Como aquelas trutas apareceram como um milagre, dentro de um grande saco plástico,  foram entretanto congeladas, a fim de serem dadas à degustação, conforme manda a boa tradição. Assadas no forno, em fumegante aloirado, ladeadas de pequenas batatas, surge a travessa que é pousada na mesa, onde os amigos se felicitam em silêncio. Pensam na sorte que alguém teve ao pescar tão belas trutas, lamentam certamente a morte de tão extraordinários seres vivos, aspiram o aroma que passa no ar e finalmente concentram-se ciosamente nos respectivos pratos. O vinho duriense acabou por compor bem o paladar dos 6 amigos, pois este intérprete do jogo dissolve bem e aligeira melhor. Na boa relação triangular “petisco/boca/estômago”, tudo se transforma em deliciosos momentos de prazer.
Esta pausa na pesca, consequência dela com certeza, transforma-se em recordação, em memória da vida. Somente porque houve umas trutas.
Matosinhos, 17 de Outubro de 2012.

Luís M. Borges

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