Meitriz
Tão simples e discreta. Casario xistoso, alpendres de
flores, um parque de merendas e uma ponte. Respirava-se, ouvia-se o cantar do
rio e dos pássaros e acontecia termos de descontrair.
Éramos quatro canas apontadas a um rio já musculado, como
resultado das chuvadas recentes. A água turva escondia os peixes e criava-nos
melhores expectativas de pesca. O Matos acertou nos barbos num trecho de rio
com corrente moderada. O Adérito entusiasmou-se com os escalos, ao toque, com
um chumbinho fendido a roçar o areão. Cá o Borges, admitia uns bordalos de
“posta”, a disfarçar alguma inoperância. O Vaz de Carvalho, polivalente e
adaptado a todas as circunstâncias, topou a todas as espécies.
A gritos de índio, eram umas 14 horas, foi convocado o
almoço, que decorreu no Parque. Ficou esquecido o feijão-frade, mas sobraram as
pataniscas e o pão alentejano. Às tantas apareceu metade da população de
Meitriz, a dar conversa e a aceitar um copo de vinho verde. Outra vez às
tantas, ouviu-se uma pergunta vinda da horta, que era a outra metade da
população de Meitriz, ou seja, a esposa do senhor Aleixo, a perguntar onde
andavam as vacas. Tratava-se de um aviso claro de contenção ao marido.
Embuchados, fomos desiludir-nos noutra parte do rio,
gastando toda a tarde. Já quase ao anoitecer, enquanto tirávamos as botas,
colocava-se só uma questão:
- Por que razão os peixes não se motivaram?
Choveram respostas como o aguaceiro, algumas delas
inadequadas, do género “não sei” e “este rio não tem peixe”. Aceitou-se, sob
reserva, a seguinte explicação:
- Os peixes estão sem apetite. Estão saciados. A enchente
trouxe-lhes muito alimento.
Ficou Meitriz a anoitecer, quando a deixámos, movendo-nos
pela estrada estreita onde havia mais montes que céu e onde o rio Paiva se
escondia no escuro das ravinas, para Arouca. No Churrascão, com um Chambriz
irrepetível, o Sporting comia o Atlético de Bilbau.
Meitriz, 20 de Abril
de 2012,
Luís M. Borges

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