Perto dos rios: as esmeraldas
são flores?
Por entre casario escuro, mas arrumado, diria esbelto, quase insólito,
fui admirando o passado. Uma casa obrigava a ler 1846; outra mostrava janelas
desconjuntas e na porta de uma casa redonda havia cravos num pote de ferro
preto, que não eram do pote; a Casa do Povo, que também não era do povo,
estragava com branco o negro luminoso das casas; mais abaixo paredes inclinadas
em socalcos de xisto justapostos, os tectos de lousa acamada a cobrirem do céu
e as curvas de uma estrada vaidosa dos seus colares de azeviche. Era Ermelo,
antiga sede de Concelho, agora do Parque Natural do Alvão.
Fomos almoçar ao restaurante do Armindo, curiosamente denominado
Sabores do Alvão. E que sabores, digam lá! Cheirava a cabrito assado no forno
de lenha, a que se misturava o aroma do arroz de cabidela. Como entrada, aquele
salpicão tinha personalidade, negro por fora, a lembrar o casario, mas
suavemente beije por dentro e de sabor único, a lembrar a suavidade da terra. O
Armindo dizia que aquela qualidade era por causa do frio… e que dava trabalho!
O vinho verde branco de Mouquim, refrescava a boca e sabia a delicadeza.
Foi um almoço internacional, com um casal de russos sentados à nossa mesa,
ele trombudo e importante, ela sorridente e amedrontada. Destoaram imenso…
Depois, a LIA. Não sabia que havia flores assim em Ermelo…
LIA
Esguia
brancura
De pele
quase nua.
Alta, loira
luz,
No andar que
me conduz.
Era
meio-dia.
Pelo ar o
vento sorria.
Eu senti,
observei
O sol alto e
olhei.
Chamava-se
Lia.
Continuava e
sorria.
Confesso que
hesitei.
Mas, porque
acenei?
Obs:
Escrever poesia sem régua nem esquadro. Às vezes, dá-me...
Ermelo, 12 de Julho de 2012
Luís M. Borges

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