O António
Sousa
Às vezes o
sol não brilha, a chuva molha-nos e o vento esfria-nos. Mas muitas vezes é
outra coisa que acontece e então ficamos acomodados a deixar-nos queimar ao sol,
pomo-nos preocupados a olhar as nuvens, nem sorrimos à noite. A mais das vezes
rotinamos no tempo e nos espaços, chateamo-nos com as pessoas, quase nos
deprimimos connosco, vivemos mesmo sozinhos.
Neste
contexto reencontrei o ANTÓNIO. Sabia-o pescador, mas não tanto assim. Tive o
prazer de ir à pesca com ele para o rio Sousa, para os lados de GENS,
especificamente no troço de rio sob a ponte de Côvelo. Levou um amigo, o
Armindo.
O caudal do
rio vestia-se de castanho e caminhava rápido. Eu situei-me a montante da ponte,
eles a jusante. Eu, a pescar na lúdica, eles numa desportiva de treino. Eu, com
a simplicidade da ligeireza habitual, eles com a panóplia de material adequado
aos concursos. Eu, com uma canita inglesa de 03,90 m guarnecida de carreto,
eles com canas de 12 metros directas. Diria…diferente?
Não, a pesca
faz-se com qualquer tipo de tempo, com qualquer forma de estar, com qualquer
maneira de ser, com qualquer tipo de material. Diferentes são os amigos, os
peixes, os rios e os gostos pela pesca.
Assim, eu
pesquei muitas bogas, barbos e escalos, todos eles irmãos no bom tamanho. O
António e o Armindo acrescentaram ainda mais.
Foi uma bela
manhã, intensa sem esforçar, natural sem cansar, agradável sem saturar,
desafiante sem arriscar, desconhecida sem surpreender. Pareceu-me ver no
António estes remédios de bom pescador.
Rio
Sousa, 4 de Novembro de 2012
Luís M. Borges
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