Trutas-mariscas
e Salmões
O rio Minho dá-nos sempre o motivo. Acolhe-nos com a suavidade das suas
águas, a verdura das suas margens, a simpatia dos seus habitantes e a
possibilidade de praticarmos a pesca às trutas- mariscas e aos salmões.
O ponto de encontro é Moledo, na casa de férias de Vaz de Carvalho.
O grupo compõe-se de vilarealenses, mesmo da 'bila', a maioria. Velhas
histórias reafirmam a idade, no silêncio dos mais novos e na curiosidade
doutros menos integrados.
As lides de pesca somaram 12 pescadores em 4 barcos, com 2, 3 ou mesmo 4 mestres
em cada um deles. Canas a corricar, atenção constante, alegrias ou desilusões. Depois,
intervalo para almoço, com petiscos regionais, vinhos de truz, a soma das trutas
pescadas e a história do salmão.
De tarde até à tardinha, todos procuraram insistir na abundância e no
prazer do excesso. Conseguiram quase todos. Tinham de merecer o jantar de
lampreia que VC prometera confeccionar, depois de ter convencido o 'Ratinho' a
inventar 3 lampreias e a mandá-las preparar. Logo os apreciadores se afundaram
convictos na lampreiada, saborosa, suculenta, até bonita de se ver no seu
azeviche brilhante.
Seguiram-se as conversas cruzadas, com pomos de discórdia em tom mais
elevado e anedotas e também por vezes remoques políticos e, com frequência, o
saborear de digestivos diversos.
Pareceu-me que a desilusão da velhice, acintosa em quase todos os
presentes, se afirmava em forma de
ferrete na consciência de cada um. Contudo, a animação provocada pela
vivacidade das companhias, pela boa comida, pelas excelentes bebidas e
sobretudo pela análise da actividade da pesca lúdica exercida durante o dia,
ajudou a reduzir a espuma da idade e a depressão da realidade qual.
As minhas debilidades, as minhas dores e a minha já persistente ideia de
limite, foram largamente ultrapassadas durante este convívio
lúdico-tertúlico.
Permitam-me que louve as trutas-mariscas, os salmões e porque não as
lampreias e os seus promotores, neste caso sobretudo Vaz de Carvalho, que
proporcionou aos aderentes um motivo de mais dois dias vividos em pleno, em
condições excepcionais.
Que haja muitos dias de rio Minho. Neste paradigmático rio fronteiriço,
todos se sentem mais vivos, todos se sentem renovados, até para além das possibilidades
físicas e psicológicas de cada um, até porque “o tempo envelhece depressa”,
como dizia Antonio Tabucchi.
Rio Minho,
01 e 02 de Março de 2013
Luís M. Borges



Bem haja o autor deste post porque de facto transmite com grande realismo o espírito que se vive nesses dias e locais que bem conheço e frequento. A leitura que fiz, levou-me de novo àquele local e fez-me reviver aquelas sensações e sentimentos de paixão pelo rio e pelos seus personagens naturais.
ResponderExcluirUm abraço e votos de uma boa época de pesca e de boa saúde.
Paulo Carvalho
Bem haja o autor deste post porque de facto transmite com grande realismo o espírito que se vive nesses dias e locais que bem conheço e frequento. A leitura que fiz, levou-me de novo àquele local e fez-me reviver aquelas sensações e sentimentos de paixão pelo rio e pelos seus personagens naturais.
ResponderExcluirUm abraço e votos de uma boa época de pesca e de boa saúde.
Paulo Carvalho