sábado, 9 de agosto de 2014

6. Memórias ao longo dos rios: O falcão só caça aves grandes



“O falcão só caça aves grandes”
Hoje, não estava à espera…da proposta de Vaz de Carvalho…às 09h00…para irmos pescar no rio Paiva. Disse que sim, num impulso, embora impreparado e ao arrepio de compromissos. Que se lixasse o saco de pesca desorganizado, com tudo à balda, pois se faltasse algo, teria de se remediar. Que se lixasse o LIDL, mais as suas promoções de material de pesca grosseiro, agendadas para hoje.
Lá partimos, através de uma rocambolesca itinerância e no restaurante Carvalha, a Fernanda tratou-nos bem. Chegados a Pereiro, já o rio Paiva estava esquecido de nós! Voavam tricópteros por sobre as águas lentas - asas desejadas aos olhos das trutas. Recantos de rio encostados a amieiros mal vestidos de folhagem, ofereciam bons lugares de pesca. Nos fundos mais escuros passeavam peixes medrosos, roçando as rochas e enfiando-se pelos galhos de árvores imersas. Eram escalos, bordalos e barbos. Instalei-me e atrevi-me com eles. O Vaz de Carvalho sumiu rio acima (“O falcão só caça aves grandes”).
Pescámos até ao anoitecer, com a penumbra a iludir-nos devagar. A ânsia sempre foi insaciável: uma truta, senhora grande, por VC e da minha parte 30 escalos e alguns bordalos.
No regresso, o contraste dos montes, do céu e dos pinheiros, deixava bem marcado o novo estradão branco, pelo qual o jipe ia subindo.
Confessámos satisfeitos: na súmula dos nossos dias de pesca, este foi mais um dia, que nos fez bailar!
Rio Paiva, 26 de Março de 2012
Luís M. Borges,

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