segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

41. Memórias ao longo dos rios



“Mandriões no vale fértil” *


1º Mandrião


 2º Mandrião


3º Mandrião

 
Só havia corações frios em Espiunca. A água gelava, as árvores eram esqueletos, as pedras fulgiam, morriam as cinzas negras de uma fogueira, o castanho mirrado dos fetos desiludia, as uvas ainda penduradas nas videiras fizeram-se passas, havia rastos negros no chão do vale…

 Cinzas
Passas
Apesar de algum sol, os nossos corações (o meu, do Paim e do V. Carvalho), praticamente não aqueceram. A pesca foi de fisga, monótona e negativa.

 Árvores vergadas
Aliás, já sabíamos que iria ser assim. Contudo outros motivos anexos à pesca, fizeram-nos vir para esta espécie de vale fértil, que mais não é do que as margens do rio Paiva. Registe-se o magnífico bife servido pela Fernandinha, o hidromel maravilhoso da D. Milita, as interessantes conversas com os habitantes locais, a alteração das rotinas em Matosinhos, a viagem a rodar conversas em jeito de discussão.

 Corações frios
Foi assim, que passou tudo a ser diferente, mesmo que os corações frios dos peixes nos nossos cacifos, fossem muito poucos.

Rastos

Ainda me ocorreu, que talvez fosse melhor não haver Inverno, pois há demasiados corações pendurados das árvores nuas nesta estação do ano. Mas não…a mandriar tirei fotos, captei pormenores, pois de outro modo, não conseguiria sequer imaginá-los. 

 Fetos

Espiunca, 29 de Dezembro de 2015
Luís M. Borges

*“Mandriões no vale fértil”, título de um livro escrito por Albert Cossery. “É o romance em que este autor egípcio dedica ao seu tema predilecto – o ódio sarcástico ao trabalho – uma maior amplitude filosófica.”