“Mandriões no vale fértil” *
1º Mandrião
2º Mandrião
3º Mandrião
Só havia corações
frios em Espiunca. A água gelava, as árvores eram esqueletos, as pedras
fulgiam, morriam as cinzas negras de uma fogueira, o castanho mirrado dos fetos
desiludia, as uvas ainda penduradas nas videiras fizeram-se passas, havia
rastos negros no chão do vale…
Cinzas
Passas
Apesar de algum sol,
os nossos corações (o meu, do Paim e do V. Carvalho), praticamente não
aqueceram. A pesca foi de fisga, monótona e negativa.
Árvores vergadas
Aliás, já sabíamos que
iria ser assim. Contudo outros motivos anexos à pesca, fizeram-nos vir para
esta espécie de vale fértil, que mais não é do que as margens do rio Paiva.
Registe-se o magnífico bife servido pela Fernandinha, o hidromel maravilhoso da
D. Milita, as interessantes conversas com os habitantes locais, a alteração das
rotinas em Matosinhos, a viagem a rodar conversas em jeito de discussão.
Corações frios
Foi assim, que passou
tudo a ser diferente, mesmo que os corações frios dos peixes nos nossos
cacifos, fossem muito poucos.
Rastos
Ainda me ocorreu, que
talvez fosse melhor não haver Inverno, pois há demasiados corações pendurados
das árvores nuas nesta estação do ano. Mas não…a mandriar tirei fotos, captei
pormenores, pois de outro modo, não conseguiria sequer imaginá-los.
Fetos
Espiunca, 29 de Dezembro de 2015
Luís M. Borges
*“Mandriões no vale fértil”,
título de um livro escrito por Albert
Cossery. “É o romance em que este autor egípcio dedica ao seu tema
predilecto – o ódio sarcástico ao trabalho – uma maior amplitude filosófica.”








