segunda-feira, 15 de setembro de 2014

33. Memórias ao longo dos rios_O toque de veludo



O toque de veludo

Já não via o Silvino há uns bons anos. Foi e continua a ser, provavelmente, o melhor pescador da equipa de pesca desportiva do Orfeão de Matosinhos.
Encontrámo-nos na casa de artigos de pesca Fishisco Comércio, sita no Freixo. Começámos a falar inevitavelmente sobre pesca e materiais, até que as nossas recordações se acabaram por encontrar. Logo ali se combinou efectuarmos uma pesca na barragem de Crestuma/Lever, no lugar onde existe a Marina de Leverinho. Às tainhas. Sim, às tainhas.
Almoçámos às 13h00no Café restaurante Camarão, uma simples carne estufada. Às 14h00, já esticávamos as respectivas linhas de pesca, a fim de tentarmos as tão ansiadas tainhas.
Um aparte: existem ainda por aí algumas cabeças pensantes, que opinam negativamente sobre estas espécies. É óbvio, que elas ganharam má fama, por se concentrarem à saída dos esgotos dos rios e dos mares, em acto alimentar. Mas, pergunto: quem colocou lá os esgotos?
Considero, que a tainha é das espécies marinhas, quando se encontra no seu meio natural, das mais difíceis de pescar. Um autor português, José Maria de Sousa, escreveu num dos seus livros de referência para mim, que a tainha ao comer do anzol, tem “um toque de veludo”. É verdade. Se a configuração da montagem (fio, anzol, chumbinho, bóia, isco) não se apresentar nos mínimos de tamanho e peso, a tainha não pega.

Ora, é justamente esta dificuldade em capturá-las, que se apresenta ao verdadeiro pescador como um desafio.
Assim, foi com enorme satisfação que abancámos frente à Associação Cultural de Leverinho, para trabalharmos em equipa.
Então como foi? O Severino preparou o engodo (1 kg de sardinha bem moída a que juntou 3 kg de farinha de milho), fazendo uma papa consistente, que em bolas do tamanho de laranjas, foram lançadas a 4 metros à nossa frente. O isco, carapau iscado em pequenos grãos de arroz, tinha de cobrir completamente o pequeno anzol. Aplicou-se uma altura do fio do anzol à bóia de 4 metros, uma bóia de 1,5 gr, um estralho de 50 cm de comprimento em fio 0,10 e um anzol branco nº 20. As tainhas começaram quase imediatamente a dar sinal de si e em breve a saírem a bom ritmo. Tainhas medianas (500 /660 gr cada). 

Ao todo e no final da pesca tínhamos capturado 26 tainhas em 2 horas de pesca, porque tivemos de interromper a pescaria por motivos meteorológicos. Caiu-nos em cima um pequeno ciclone, que nos impediu de continuar. Pesca estragada.
Valeu a experiência e o facto de ter arranjado um novo companheiro de pesca, numa área tão especializada. Iremos repetir, pois haverá certamente muitos sábados, em que o alto mar me impedirá de embarcar. Por isso, irei pescar tainhas na boa companhia do Silvino.
No regresso ainda tivemos oportunidade de visitar a Silstar, onde encontrei o Sr. Martins, que tinha aberto o período de saldos. Acabei por adquirir uma cana de 6 metros, justamente para pescar tainhas, a conselho do Silvino.
Derradeiro comentário: gosto imenso de pescar tainhas. E não me venham dizer, que a pesca à tainha, é para pescadores de 2ª classe. Eu não me importo. Que seja!
Barragem de Crestuma / Lever, 11 de Setembro de 2014
Luís M. Borges