O toque de veludo
Já não via o Silvino há uns bons anos. Foi e continua a ser,
provavelmente, o melhor pescador da equipa de pesca desportiva do Orfeão de
Matosinhos.
Encontrámo-nos na casa de artigos de pesca Fishisco Comércio, sita no
Freixo. Começámos a falar inevitavelmente sobre pesca e materiais, até que as
nossas recordações se acabaram por encontrar. Logo ali se combinou efectuarmos uma
pesca na barragem de Crestuma/Lever, no lugar onde existe a Marina de
Leverinho. Às tainhas. Sim, às tainhas.
Almoçámos às 13h00no Café restaurante Camarão, uma simples carne
estufada. Às 14h00, já esticávamos as respectivas linhas de pesca, a fim de
tentarmos as tão ansiadas tainhas.
Um aparte: existem ainda por aí algumas cabeças pensantes, que opinam
negativamente sobre estas espécies. É óbvio, que elas ganharam má fama, por se
concentrarem à saída dos esgotos dos rios e dos mares, em acto alimentar. Mas,
pergunto: quem colocou lá os esgotos?
Considero, que a tainha é das espécies marinhas, quando se encontra no
seu meio natural, das mais difíceis de pescar. Um autor português, José Maria
de Sousa, escreveu num dos seus livros de referência para mim, que a tainha ao
comer do anzol, tem “um toque de veludo”. É verdade. Se a configuração da
montagem (fio, anzol, chumbinho, bóia, isco) não se apresentar nos mínimos de
tamanho e peso, a tainha não pega.
Ora, é justamente esta dificuldade em capturá-las, que se apresenta ao
verdadeiro pescador como um desafio.
Assim, foi com enorme satisfação que abancámos frente à Associação
Cultural de Leverinho, para trabalharmos em equipa.
Então como foi? O Severino preparou o engodo (1 kg de sardinha bem
moída a que juntou 3 kg de farinha de milho), fazendo uma papa consistente, que
em bolas do tamanho de laranjas, foram lançadas a 4 metros à nossa frente. O
isco, carapau iscado em pequenos grãos de arroz, tinha de cobrir completamente
o pequeno anzol. Aplicou-se uma altura do fio do anzol à bóia de 4 metros, uma
bóia de 1,5 gr, um estralho de 50 cm de comprimento em fio 0,10 e um anzol
branco nº 20. As tainhas começaram quase imediatamente a dar sinal de si e em
breve a saírem a bom ritmo. Tainhas medianas (500 /660 gr cada).
Ao todo e no final da pesca tínhamos capturado 26 tainhas em 2 horas
de pesca, porque tivemos de interromper a pescaria por motivos meteorológicos. Caiu-nos
em cima um pequeno ciclone, que nos impediu de continuar. Pesca estragada.
Valeu a experiência e o facto de ter arranjado um novo companheiro de
pesca, numa área tão especializada. Iremos repetir, pois haverá certamente
muitos sábados, em que o alto mar me impedirá de embarcar. Por isso, irei
pescar tainhas na boa companhia do Silvino.
No regresso ainda tivemos oportunidade de visitar a Silstar, onde
encontrei o Sr. Martins, que tinha aberto o período de saldos. Acabei por
adquirir uma cana de 6 metros, justamente para pescar tainhas, a conselho do
Silvino.
Derradeiro comentário: gosto imenso de pescar tainhas. E não me venham
dizer, que a pesca à tainha, é para pescadores de 2ª classe. Eu não me importo.
Que seja!
Barragem de Crestuma / Lever,
11 de Setembro de 2014
Luís M. Borges