O prazer da picanha
O prazer da picanha é
como o prazer da pesca. Deseja-se a picanha e com igual intensidade a pesca.
Ter ido pescar para o rio Minho de barco, à “rola”, teve um grande significado
para mim. Havia meses, que a distância entre os dois pontos Ómega, o meu e o de
Vaz de Carvalho, não se encurtava a ponto de coincidirem. É que os caminhos da
vida são diferentes e às vezes, em vez de correrem pelo menos paralelamente,
tendem a afastar-se. Contudo, remedeia-se esta geometria, com uma simples
verbalização.
Pronto. O Universo compôs-se.
No dia seguinte,
cumprimentámo-nos parcimoniosamente, a fim de compensarmos saudades das
respectivas companhias. Foi assim, que eu entendi a festa que VCarvalho me fez,
à qual retribuí também generosamente.
Lá fomos atrelar o
barco, seguindo para norte em direcção a Caminha, parando em Esposende para
comprar “bicha”, chegando ao talho a comprar umas iscas de fígado e como
preparação ritual da pesca que se iria iniciar de seguida, pataniscámos numa
mesa da esplanada do Bar do Rio.
A paisagem que nos acolhe neste rio é sempre bela, sente-se, por mais que a distracção nos absorva. Os olhos solidariamente captam o supremo esplendor e a mente acaba por confirmar.
Já em acção de pesca,
os robalos, calçando no mínimo obrigatoriamente 36, depressa “caminharam” na
nossa direcção. Recolhemos os três, 16 peixes, em 5 horas de pesca. Durante a
“rola” falámos sobre fios entrançados, da nossa arte no barco, das origens do
vinho, de receitas primorosas e da importância do nariz na vida dos seres
humanos.
A exorbitância das conversas, apaziguaram o vento, que neste dia soprou desagradavelmente sobre as águas do rio Minho.
Encerrámos a faina às
17h00. Escusado será dizer, que pescador que se preza nunca está satisfeito,
mas a noite aproximava-se, pelo que, com sumo de limão no pensamento e secura
na boca, chamámos Matosinhos ao nosso desejo, com destino definido: Altix.
O jantar, fígado e ovos estrelados (deveria ter sido picanha), com sobremesa de futebol (FCPorto/Maccabi), foi um festim mínimo, simples e adequado.
Matosinhos, 20 de Outubro de 2015
Luís M. Borges
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